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terça-feira, 17 de julho de 2012

Lembrando Tarkan

Ah, as nossas lembranças... Claro que sim, que eu lembro do Tarkan! É justamente o da primeira foto que eu tinha uma vaga lembrança, uma lembrança vaga e marcante. E por quê marcante? Porque justamente eu lembrava que a beleza dele tinha um impacto forte, algo irresistível. E a música? Em uma língua estranha, mas que dava vontade de cantar. Mas cantar como? Não sei como explicar... Era uma magia. No Brasil sua gravadora só se preocupou em lançar "Simarik", aquela  música do beijo (Kiss, Kiss), onde o cantor Latino fez uma pobre versão em português. Eu lembro muito bem, eu não tinha computador em minha casa nesse período, e teve um desses CDs "Arabian Nights", creio que o volume 2 que acabei comprando só por causa dessa música. E ficava lembrando... É daquele cantor lindo (que eu achava que era árabe). Acho que ficou no passado aquela coisa de ficar fã da pessoa (dessa pessoa), na verdade se me apresentassem mais músicas dele, com certeza seria uma fã de carteirinha. Eu com essa mania de gostar mesmo de algo ou de alguém, mas gostar pra valer. Enfim...


Um belo dia de domingo, resolvi fuçar o Youtube atrás de música árabe. Mas antes lembrei de uma personagem chamada Fedora Abdala, interpretada pela atriz Cristina Pereira na novela Sassaricando e fiquei comentando com colegas via chat e rindo do quão divertida ela era. E a música "Fata Morgana" com o Grupo Dissidenten? Justamente pesquisando essa música, me veio remexendo nos baús de minha memória a lembrança de Tarkan. Assim achei o vídeo de "Simarik" e não larguei mais. A cada suspiro ficava dizendo: como ele era lindo mesmo! E agora como é que ele está? Então vamos fuçar Google, fuçar Youtube... Não! Para tudo!

Não é que esse homem consegue surpreender mais ainda anos depois? E visuais novos e músicas que arrastam você para dentro da tela. Lendo sobre ele, descobri que "a estranha língua" em que ele canta suas canções é turco, e que de nascimento ele não é turco e sim alemão. Mas explicando a biografia do lindo eu deixo para os meus próximos posts.


Pronto, fiquei com uma vontade louca de aprender o idioma dele. Que eu não acho tão ruim de pronunciar, mas muito difícil de entender... Bem, enfim... Dos antigos vídeoclipes, há alguns que não são tão bons, creio que o pessoal com que ele trabalhava não era tão bom assim e a parte cinematográfica da música acho que ficava pedindo algo melhor. Depois vendo os mais recentes houve uma evolução muito grande a partir de "Dudu" (que significa "Mulher" em turco). Em "Dudu" e "Kuzu kuzu" eu vejo um Tarkan tão turco, tão turco, tão lindamente turco, aquela carinha de homem do oriente médio, ou simplesmente o príncipe, a perfeição do traço artístico da beleza turca em pessoa, uma pintura em uma tela sabe? O meu conhecimento da cultura do país dele é o mais superficial possível. E entendo essa mescla musical de uma batida quase folclórica vindo do essencial que há em lugares como a Turquia juntando com o universo pop da música. Em "Dudu" observei ele dançando, ele fundiu bem isso também. Principalmente em movimentos levemente giratórios, que muita gente que nunca viu uma dança sagrada bailada por homens oriunda das terras de lá nunca vai saber o que é, e obviamente vai rir ou fazer algum comentário mesmo ignorante. Mas para quem tem sensibilidade e estar aberto a cultura do outro, obviamente, como eu, vai ficar em estado de fascínio.


De uns tempos para cá não sei quem está agora na direção dos seus vídeoclipes, mas seja lá quem for, está trabalhando com capricho no que se refere a produção, montagem e figurino. E que figurino! Não pesquisei o guarda-roupa dele. Mas vamos combinar, que Tarkan é um homem tão lindo que qualquer vestuário lhe cai bem. Mas assim... É cada roupa que ele veste que é uma loucura. Ainda estou para ver um artista mais fashion que ele, nesse quesito, tira nota máxima e com louvor. Lembrando que a beleza dele salta, revoluciona mais no vídeoclipe "Acimayakac" de 2010. Mas antes de chegar a perfeição absoluta dos seus quase 40 anos, ele muda muito, parece passar por várias metamorfoses e cada uma delas mais lindas. Em "Acimayakac" ele abusa do direito de ser sexy, de cantar bem, de fazer uma boa performance e do bem vestir. Outro vídeo também muito bom é "Öp" e finalmente seu mais novo sucesso Ask Gitti Bidzen. Ah, Tarkan, Tarkan bom lembrar, bom te ver de novo! E espero sinceramente que a Rede Globo se lembre de incluir uma música sua na Trilha Sonora da próxima novela das 20h00, "Salve Jorge". Ansiosa para ver o que vem por aí, me despeço para começar a escrever o próximo post.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

My Dear Jimmy...



Hoje quero lembrar de sua doce rebelde lembrança, 
da minha alegria na matinê para te ver ali tão ao alcance de mim. 
Não estás longe jamais da adrenalina que circula em minhas veias, 
ali existe uma micropartícula de energias
oriunda de um sonho transplantado via láctea, via cine, via projeção.

Nenhum momento contigo me foi diluído da memória
Tampouco em muitas fotos tuas que eu guardava em uma caixinha dourada
Tua intensidade era sentida, tua voz, teus gestos, tua ação.

O que restou foi o memorial da lembrança
Lá eu guardei teu gatinho, teus óculos, teus livros, tuas imagens,
tuas dores, teus sonhos, teu sorriso, teus amores e aquele amor perdido.

Rebel without a cause,
rest in peace. (Written by Magda Miranda)

terça-feira, 21 de junho de 2011

Matéria publicada no Jornal do Commercio sobre John Wayne


Western John Wayne e Maureen O `Hara numa cena do western Rio Grande, filme que concluiu a trilogia da cavalaria pelo mestre John Ford em 1950.
Há algum tempo que deixaria aqui esse artigo que li no Jornal do Commercio, principalmente na data de aniversário de John Wayne que foi mês passado. De longe ele foi um ator que me agrade, mas foi um ícone do gênero western. A matéria dividi em três partes, pois é muito longo.


Jornal do Commercio, Recife, 26 de maio de 2007.
Caderno C
Memória
John Wayne ente o amor e o ódio
Há cem anos nascia o ator que encarnou como poucos o ideal americano ao interpretar caubóis na tela, na idade de ouro de Hollywood
Fernando Monteiro
Especial para o JC

Vocês podem nem acreditar – turma dos cinemas multiplex e das locadoras de DVDs preferencialmente coloridos - , mas houve uma vez um verão em que os gêneros das “fitas” (passando nos cinemas, como se dizia) não eram propriamente drama, comédia, amor etc. Os  filmes -  preto & branco, technicolor, com os cartazes na porta etc – eram “filmes de Humphrey Bogart”, “filmes de Gary Cooper” ou “filmes de John Wayne”. Simples assim, para quem viveu a idade de ouro da velha Hollywood.
Naquela época, os filmes partiam em busca dos espectadores, nos bairros distantes Para citar só um subúrbio, eu lembro que Afogados tinha nada menos que quatro cinemas (Cine Eldorado, Cine Central, Cine Pathé e Cine Capricho), todos mudando de programação nos domingos e quartas-feiras. Isso dava a chance das garotas e dos garotos de então assistirem se quiserem, a mais de trinta filmes num mês – em caso de nenhum título dobrar a semana (às vezes porque se anunciava “proibido para menores de 18 anos”).
O assunto aqui, porém, não são os anos dourados e menos dourados, mas o centenário do sujeito que virou um “gênero” – John Wayne - , junto com colegas mais velhos como Bogart, Cooper e alguns poucos.
“O-filme-é-de-John-Wayne” – isso queria dizer tudo, como num código resumido para garantir diversão, empatia e recompensa ampla do dinheiro da mesada deixado na bilheteria do Cine Central, por exemplo, a exibir Rio Bravo, do magistral diretor Howard Hawks.
“Diretor? Howard Hawks?” Ninguém conhecia. O pessoal só conhecia John Wayne, o astro da fita, e isso era o que bastava – assim como fora suficiente dizer de outros, antes dele.
Houve uma vez, então, um “verão” assim – que durou o tempo de muitos verões - , e cabe tentar explicar um pouco quem foi esse sujeito capaz de situar muito acima de si mesmo e maior do que os seus quase dois metros, na tela grande dos bairros em silêncio quebrado pelos tiros nas caixas de som dos cinemas.
Ele, Wayne, era sempre o sobrevivente de cara meio amassada, xerife do Oeste que nós amávamos – e tivemos que também aprender a também odiar, quando crescemos e pudemos entender o quanto fascinante desgraçado era um reacionário de direita digno de pena.
Voltemos no tempo, para entender o mistério.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

"Mocinho vendia os valores americanos"

John Wayne em cena do filme Areias de Iwo Jima

Jornal do Commercio, Recife, 26 de maio de 2007.
Escrito por Fernando Monteiro

Os heróis do cinema são diferentes dos heróis da literatura e de outras narrativas cujos personagens não se confundem com alguém de carne e osso, durante hora e meia de puro fascínio (dependendo da boa mão de roteiristas e diretores, é claro).
Bronco Billy, quase caricato, William S.Hart – cara quadrada e amarrada, caubói taciturno - , Ken Maynard, Tom Mix (chapelão ridículo, acrobata sobre cavalos) e o grisalho Hopalong Cassidy foram alguns dos heróis que vieram antes de Cooper e Wayne, ainda na fase muda, com alguns passando para o cinema sonoro... e, neste, se apagando como estrelas cadentes do Oeste.
Gary Cooper surgiu um pouco antes de John Wayne, e talvez permanecesse o “N°1” enquanto um câncer não lhe foi minando as forças de Montana, e tornando difícil, para ele, enfrentar as durezas da filmagem de um western.
Cooper faleceu em 1961, e, a partir de então, só restou uma unanimidade capaz de ser um nome-gênero (“Filmes de JW”) assumindo o ator – com o seu estilo bem diverso das hesitações e tibiezas de Cooper – a persona que ele desenvolveu, dentro e fora dos westerns, em filmes como Depois do Vendaval, Um fio de Esperança e Hatari!
Calçado com botas texanas ou enfiado numa farda de oficial americano em luta contra o eterno “inimigo” (do qual, parece, sempre necessita o Tio Sam – talvez para comprovar uma viriliadade algo alquebrada), o homem que hoje faria cem anos veio representar o melhor e o pior do cinema que ainda nos faz “madrugar” para assistir à quase “matuta” entrega do Oscar (que Wayne também ganhou, pela sua soberba criação de Rooster Cogburn, o personagem inesquecível de um dos melhores faroestes de mestre Henry Hathaway: The Grit/Bravura Indômita, de 1969).
Seu nome de batismo era Marion Michael Morrison e esse improvável “Marion” havia nascido em 26 de maio de 1907, filho de um farmacêutico e de uma dona de casa tipicamente americana, elogiada pelas boas tortas de maçãs  pelos poucos neurônios. Seu filho campeão de futebol americano nunca gostou de ser “Marion” e viria a mudar o nome para John Wayne, fácil de decorar – quando os aplausos dos estádios o motivaram a tentar a sorte nos estúdios de cinema, com seu 1,92 metro de altura, para impressionar logo de cara. E, por falar em caras, a dele tinha aquela confiança (burra?) no futuro protegido por uma estátua da Liberdade de braço levantado alto demais acima das cabeças dos emigrantes – para quem aquela senhora de pedra talvez gostasse de apagar, aqui e ali, a sua tocha elevada côo um sinal de fumaça nas alturas “Torres Gêmeas”...
Marion, isto é, John, cresceu acreditando nos velhos e famosos “valores americanos”. Bom rapaz. Após atuar em muita porcaria (não só do Oeste), o genial John Ford o escalou para viver “Ringo” da obra-prima Stagecoach. Corria o ano de 1939, e o filme viria a se inscrever na história do Cinema dos EUA como avanço decisivo na caminhada dos caubóis para a maturidade psicológica, como personagens broncos redimidos por incertezas e dúvidas. Com esse faroeste em ascético claro-escuro (cujo título aqui foi No tempo das diligências), Wayne despontou ao pleno estrelato.
Ford gostava dele e John passou também pelas mãos do experiente Hawks, em cerca de três filmes bem dirigidos. Um dos quais, o memorável Rio Bravo (no Brasil, Onde começa o inferno, 1959), western da melhor safra dos anos 50, em que o antigo jogador Marion provava que sabia atuar, quando a qualidade era exigida por um diretor inspirado.
Sua mais complexa composição, entretanto, de um personagem da pradaria, teceu sob as ordens de John Ford, mais uma vez. Em 1956, o cineasta-bardo das fronteiras da ambigüidade, resolveu levar para a tela uma excelente novela de Alan Le May, intitulada The Searchers/Rastros de Ódio, que tratava do amor contrariado, do preconceito de raça e de seres machucados pela guerra ou com os corações endurecidos por outros motivos. Ford confiou a Wayne o papel central de Etham Edwards, um ex-militar na caça obsessiva da sobrinha (raptada por guerreiros comanches), até porque Etham não suportava a idéia de que havia crescido e, certamente, teria sido obrigada a se tornar amante e mulher de índios (por ele odiados, como estupradores e assassinos da cunhada, o seu grande amor).

domingo, 19 de junho de 2011

"O velho caubói deixa imagem de homem reacionário"

Publicado no Jornal do Commercio, Recife, 26 de maio de 2007.
Escrito por Fernando Monteiro




O velho John Ford fez do argumento de Rastros de Ódio um filme que o irascível e revolucionário Jean-Luc Godard confessava ter assistido mais de 30 vezes (afirmando que sempre chorava, no final, quando Wayne desiste da idéia de matar a indiazinha, e lhe diz: “Vamos para casa, Debbie”).
A imagem de John Wayne ficou para sempre recortada por essa marcha à ré, e visualmente, pela porta da fazenda perdida na vasta planície do Oeste – a cena derradeira o mostra como um solitário voltando para o cenário da sua solidão. É quando se tornaria perfeitamente possível amar esse ator, num esforço também de marcha à ré para esquecer o reacionário que ele foi, na política. Infelizmente, não o é.
Wayne foi um “falcão” tão odioso que  seu herói no écran não redime a vida pessoal do astro que alinhou com as idéias de Nixon, McCarthy, Johnson e outros ainda piores. E não ficou só nisso o antigo “bom rapaz” dos campos de futebol daquela América hoje representada pelo orgulho e a estupidez bushianas: foi um dos mais entusiastas membros da Legião Americana, sinistra entidade engendradora da “Caça às bruxas” que vitimou tantos dos seus colegas da indústria cinematográfica destruindo carreiras (como a do roteirista Dalton Trumbo) e fazendo talentos (como o do diretor Elia Kazan) derraparem na prática horrível do dedurismo.
Se vivo fosse, Wayne estaria aprovando, hoje, o presidente mais toupeira que já passou por Washington. O cavalo de John estaria cumprimentando o cavalo do George – pois Marion Michael Morrison nasceu virado para a direita, no conservador útero materno. E, estariam, de resto, muito velhos, cavalo e cavaleiro – no deserto moral que está a pintar, sombriamente, de preto funério, a antiga Casa Branca.
John Wayne morreu de câncer no dia 11 de junho de 1979, alguns anos depois de ter produzido um filme (The Green berets/ Os boinas verdes, 1968) exclusivamente para louvar a aloprada ditadura militar do seu país no longíquo Vietnam. Ele pagou do próprio bolso a produção – e engoliu o fracasso de bilheteria, sem reclamar.
Do ator, ficou a recordação boa de alguns heróis de celulóide que ele soube encarnar com admirável vigor, enquanto somos levados quase a pensar “Já se foi tarde!” – quando emerge a face do reacionário de direita, de sob a aba do chapéu stetson, longe da porta de fazenda do caubói sumindo na poeira.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Ajustando o modelito...

 ... para abalar!
Só as musas são assim. Feliz aniversário Marilyn Monroe!

quinta-feira, 12 de maio de 2011

A matéria que li no jornal foi escrita na época do centenário de Katharine Hepburn

 
Jornal do Commercio – Recife, 12 de maio de 2007
Caderno C
Antiestrela  de primeira grandeza
Katharine Hepburn faria 100 anos hoje. O mundo do cinema não esquece esta atriz dona de quatro Oscars e de toneladas de atitude
Ernesto Barros
Especial para o JC

Dona de um estilo de vida livre e independente, Katharine Hepburn talvez tenha sido a atriz americana que melhor soube adaptar-se às exigências do star system hollywoodiano. Hoje, no dia do centenário do seu nascimento, as dezenas de filmes de sua bem-sucedida carreira e a maneira como encarou os códigos de conduta de Hollywood estão muito vivos na memória de todo mundo. E não só pelo fato de que Katharine Hepburn tenha morrido há menos de quatro anos. Mas sim porque ela fez juz à fama de “primeira dama do cinema”.

Katharine e Spencer Tracy
Katharine Hepburn nasceu em Harford, no estado de Connecticut. Para se entender um pouco o comportamento dela, é preciso remexer nos anos de sua formação. A educação doméstica, dividida pelo pai médico e mãe sufragette, como eram chamadas as mulheres que, no início do século passado, lutavam pelo voto feminino, foi de capital importância para o que ela se tornaria no futuro. Foi graças à mãe politizada, que lhe encorajou a falar o que desse na telha e a desenvolver seu potencial físico, que Katharine Hepburn impôs-se como antiestrela numa época em que o céu acima das colinas de Hollywood era totalmente platinado. Depois teve a morte do irmão, então com 14 anos, que enforcou-se acidentalmente.


Por causa disso, a jovem Katharine não teve uma adolescência das mais alegres. Entretanto, esse retraimento fez com que ela se tornasse uma boa aluna. E durante a graduação no Bryn Mawr College, onde estudou balé e interpretação, decidiu que seria atriz. Como o caminho natural para a carreira, na época, era a Broadway, ela foi morar em Nova Iorque. The big pond, a primeira peça que encenou aos 21 anos, ficou apenas cinco dias em cartaz. A escritora Doroty Parker, que escrevia para New Yorker e era dona da língua mais ferina da cidade, não poupou seu desempenho: “Ela percorre toda a escala emocional de A a B”.




Independente Mulher de opinião forte, Katharine viveu com o colega casado Spencer Tracy, o amor da sua vida


Mas essa paulada inicial não esmoreceu a vontade de vencer na Broadway. Depois de vários pequenos papéis, foi conquistando espaço até estourar em The warrior´s husband, em 1932. Como era inevitável, surgiram as primeiras propostas de Hollywood. No mesmo ano, após alguns testes, Katharine Hepburn foi convidada para fazer Vítimas do Divórcio. Na sua estréia hollywoodiana, pelas mãos de George Cukor, ela dividiu a cena com John Barrymore. Com o sucesso do filme, a RKO lhe ofereceu um contrato e ela fez cinco longas-metragens entre 1932 e 1934. Com manhã de Glória, realizado em 1993, abocanhou um Oscar de melhor atriz, a primeira das estatuetas que ganhou, um recorde que até hoje nenhuma outra conseguiu igualar.
Apesar do evidente talento, Katharine Hepburn não era dona dos atributos físicos padronizados na idade de ouro de Hollywood. E, estranhamente, logo após a sua ascenção, ela teve um período em que era considerada “veneno de bilheteria. Comédias clássicas como Levada da Breca, hoje consideradas antológicas, foram naufrágios de bilheteria que lhe obrigaram a voltar à Broadway. Núpcias de Escândalo, por exemplo, sempre na lista dos seus melhores filmes, foi antes sucesso no teatro, em 1938.
Em 1942 ela conheceu Spencer Tracy no set de A mulher do dia. Por mais de 25 anos, eles seriam parceiros no cinema e na vida. Fizeram juntos nove filmes deliciosos, entre eles A costela de Adão, A mulher absoluta, Amor eletrônico e Advinhe quem vem para o jantar, o último que fizeram juntos, em 1967, ano da morte de Tracy. Apesar de manterem um relacionamento conhecido por todos em Hollywood, Spencer Tracy e Katharine Hepburn não se casaram. Católico, ele jamais abandonou a mulher. Reza a lenda que Katharine nunca assistiu ao último filme que fizeram juntos e no qual ganhou o segundo Oscar.
Nesta época, longe dos olhos de Spencer Tracy, Katharine Hepburn não deixou de atuar em grandes filmes. Em 1951, ela se divertiu à vontade com Humphrey Bogart em Uma  Aventura na África, de John Huston. Ela considerava o filme tão interessante que chegou a escrever um livro sobre a experiência. Muito à vontade, fez duas das melhores adaptações de textos teatrais realizadas em Hollywood: com Joseph L. Mankiewicz fez De repente, no último verão, do original de Tenessee Williams, em 1959; e com Sidney Lumet Longa Jornada noite adentro, a partird e Eugene O´Neil, em 1962.
No final dos anos 1960, foi lentamente deixando de atuar, mas ainda ganhou dois Oscar de melhor atriz. Em 1968, com o drama O leão no inverno e, em 1981, com Num lago dourado, ao lado do amigo Henry Fonda. Nos últimos anos de sua vida, participou de filmes para a TV e um ou outro longa-metragem para o cinema. Katharine Hepburn morreu aos 96 anos, vítimas de complicações com o Mal de Alzheimer.