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terça-feira, 21 de junho de 2011

Matéria publicada no Jornal do Commercio sobre John Wayne


Western John Wayne e Maureen O `Hara numa cena do western Rio Grande, filme que concluiu a trilogia da cavalaria pelo mestre John Ford em 1950.
Há algum tempo que deixaria aqui esse artigo que li no Jornal do Commercio, principalmente na data de aniversário de John Wayne que foi mês passado. De longe ele foi um ator que me agrade, mas foi um ícone do gênero western. A matéria dividi em três partes, pois é muito longo.


Jornal do Commercio, Recife, 26 de maio de 2007.
Caderno C
Memória
John Wayne ente o amor e o ódio
Há cem anos nascia o ator que encarnou como poucos o ideal americano ao interpretar caubóis na tela, na idade de ouro de Hollywood
Fernando Monteiro
Especial para o JC

Vocês podem nem acreditar – turma dos cinemas multiplex e das locadoras de DVDs preferencialmente coloridos - , mas houve uma vez um verão em que os gêneros das “fitas” (passando nos cinemas, como se dizia) não eram propriamente drama, comédia, amor etc. Os  filmes -  preto & branco, technicolor, com os cartazes na porta etc – eram “filmes de Humphrey Bogart”, “filmes de Gary Cooper” ou “filmes de John Wayne”. Simples assim, para quem viveu a idade de ouro da velha Hollywood.
Naquela época, os filmes partiam em busca dos espectadores, nos bairros distantes Para citar só um subúrbio, eu lembro que Afogados tinha nada menos que quatro cinemas (Cine Eldorado, Cine Central, Cine Pathé e Cine Capricho), todos mudando de programação nos domingos e quartas-feiras. Isso dava a chance das garotas e dos garotos de então assistirem se quiserem, a mais de trinta filmes num mês – em caso de nenhum título dobrar a semana (às vezes porque se anunciava “proibido para menores de 18 anos”).
O assunto aqui, porém, não são os anos dourados e menos dourados, mas o centenário do sujeito que virou um “gênero” – John Wayne - , junto com colegas mais velhos como Bogart, Cooper e alguns poucos.
“O-filme-é-de-John-Wayne” – isso queria dizer tudo, como num código resumido para garantir diversão, empatia e recompensa ampla do dinheiro da mesada deixado na bilheteria do Cine Central, por exemplo, a exibir Rio Bravo, do magistral diretor Howard Hawks.
“Diretor? Howard Hawks?” Ninguém conhecia. O pessoal só conhecia John Wayne, o astro da fita, e isso era o que bastava – assim como fora suficiente dizer de outros, antes dele.
Houve uma vez, então, um “verão” assim – que durou o tempo de muitos verões - , e cabe tentar explicar um pouco quem foi esse sujeito capaz de situar muito acima de si mesmo e maior do que os seus quase dois metros, na tela grande dos bairros em silêncio quebrado pelos tiros nas caixas de som dos cinemas.
Ele, Wayne, era sempre o sobrevivente de cara meio amassada, xerife do Oeste que nós amávamos – e tivemos que também aprender a também odiar, quando crescemos e pudemos entender o quanto fascinante desgraçado era um reacionário de direita digno de pena.
Voltemos no tempo, para entender o mistério.

Um comentário:

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Fiquei interessado na matéria. Aguardo as próximas publicações.

O Falcão Maltês