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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Meu adeus a Heath Ledger

corpo de Heath Ledger sendo retirado do apartamento em Nova York
Em "Brokeback Mountain"

Ele não era galã e não se sentia galã, mas se tornou um, com uma beleza classificada de "selvagem"


Com a filha Matilda, fruto de sua relação com a atriz Michelle Williams

Heath e Michelle em cena de "Brokeback Mountain", filme que o consagrou. Nas gravações se apaixona por Michelle Williams, o relacionamento mais duradouro de sua vida e com quem teve uma filha.


Ainda me custa acreditar. Mas a vida tem dessas surpresas desagradáveis. E justo agora que eu havia descoberto um excelente ator, depois de tanto tempo sem observar com mais cautela a new generation de Hollywood.
Não sou tão cinéfila assim, mas gosto muito, muito, muito de cinema. Mas não tanto como deveria, minha quantidade de filmes assistidos é relativamente pequena comparado aos cinéfilos verdadeiros. Falo dessas pessoas que devoraram toda a obra de Charles Chaplin, que discorrem sobre a sensualidade de Brigitte Bardot, que amam de paixão James Dean, que assistiram a todos os “Tubarões” da vida, a todas as séries americanas de TV dos anos 80, que mataram e ressuscitaram Fred Gruegger e Jason, que não perderam e nem perdem um capítulo de “Lost”, que acompanham todos os bons filmes nos cinemas e que nunca deixam de assistir ao Oscar... E claro, que têm um excelente conhecimento daquilo pelo qual morre de amor, seja o cinema nacional, os clássicos ou simplesmente os filmes de seus atores preferidos. Saber criticar e elogiar uma obra com inteligência, elegância e competência de palavras não é tarefa fácil, só um cinéfilo é capaz de fazê-lo.
De minha parte gosto de muita coisa no cinema. Claro, que detesto os lixos, neles enquadro os filmes com Jean Claude Van Dame e outras porcarias do gênero. Há sim tanta coisa ruim... Mas há muita coisa boa sim. E neste espaço de tempo descobri que tenho uma afeição enorme por diretores como Pedro Almodóvar e Franco Zeffirelli.Claro que há muitos outros que gosto muito e nem vou mencionar pois nem sequer terminaria de escrever esse texto.
E enfim descobri os atores do meu coração: Gael García Bernal, Leonardo Sbaraglia, Gary Oldman, Daniel Bhrül e agora Heath Leadger. Interessante que só no final do ano passado comecei a falar dele. Porque depois de ver “Brokeback Mountain” com outros olhos, olhos de que observam algo além de uma história comovente, descobrem também um ator espetacular. Algo que toda a crítica já observara muito antes de mim. E claro, que lhe trouxe a fama necessária, para uma profissão que é “glamourosa”, mas ao mesmo tempo árdua para quem decide batalhar por sua estrela.
Então ficava me perguntando: quem é Heath Ledger? E qual o oráculo melhor para isso? A internet sem dúvida. Quando finalmente recolhi os dados sobre ele, fiquei mais boba ainda e com uma admiração que crescia a cada dia. Menino novo, australiano, pegador, filhinha de dois anos, bom intérprete... mas isso não era o suficiente. Mas depois de “Brokeback Mountain” comecei a compreender porque ele quase chegou ao Oscar de melhor ator: ele era muito jovem e mais adiante na trama ele já era um homem maduro que tinha uma filha adulta; e Heath com tão pouca idade fez um coroa tão cheio de conflitos, claro que um pouco de maquiagem ajudou, mas não era carregada, a interpretação dele para Ennis Del Mar sim. Além disso, ele passou uma verdade naquele sotaque típico de gente do Velho Oeste americano, algo que não é muito fácil para alguém que nasceu na Austrália.
Interessante, que eu jurava de pés juntos que o primeiro filme que vi com ele fora o dos cowboys gays e não era. Eu vi também “Os Irmãos Grimm”, e nesse filme minha atenção se voltava mais para Matt Damon, que para o Heath. Mas eu reconheci perfeitamente que o outro irmão Grimm também era um ator muito bom. Os outros filmes do Heath Ledger fui perdendo no caminho, apesar de quê são muito conhecidos do público, entre eles "Casanova" e "O Patriota". Um dos seus primeiros filmes “10 coisas que eu odeio em você” (1999), lhe rendeu muitos fãs e a certeza que seria escalado para outros.
Hoje ao ver o Jornal da Globo exibindo imagens de seu corpo sendo trazido dentro de um saco preto, fiquei mais uma vez triste e sem acreditar. Aquele homão lindo, loiro, altão, ali sem vida, um ser jogado num daqueles caminhões papa-defunto para ser levado para autópsia e tudo mais num desses institutos de medicina legal da vida. Claro, que lá em Nova York, a coisa é bem outra. Mas a morte é dura de ver do mesmo jeito.
Pelo que vi na TV a mídia pretende “eternizá-lo” como o cowboy gay de “Brokeback Mountain”. Mas o último trabalho de Heath Leadger foi na pele do Coringa em Batman – “The Dark Knight” (O Cavalheiro das Trevas), que ainda será lançado. Não tenho informações ainda de que este filme foi concluído, ao que tudo indica parece que sim. Heath antes de entrar nos testes de maquiagem para o personagem, teve seu corpo escaneado em 3-D para o filme. Hoje no Jornal da Globo exibia algumas imagens de seu último trabalho, para quem viu a atuação de Leadger, trata-se do Coringa mais cruel que o cinema já viu.
Há mistério no ar, mas nada que possa ser solucionado. Dizem que o apartamento em que foi encontrado morto era de uma amiga. E ao lado do corpo um frasco de tranqüilizantes. E a pergunta: por que um jovem ator de carreira tão bem-sucedida queria se matar? Acidente em uma alta medicação? Drogas?
Em “Brokeback Mountain” os críticos o elegeram o novo James Dean e também fora comparado a Marlon Brando. Fontes chegaram a especular que haveria a seqüência do filme, em que finalmente Ennis Del Mar sairia do armário. Mas Heath sequer chegou a realizar este projeto. A triste sina de grandes estrelas de Hollywood estava no seu destino. Sua vida pessoal era movimentada podia-se dizer, escandalosa para alguns que queriam apimentar mais os fatos de tão curta vida. Para mim não importa quantas atrizes traçou, quantas tatuagens loucas teve no corpo, quantas drogas experimentou (se ocorreu de fato), quantos relatos teve de dar para dizer o quanto insatisfeito estava. Vou sentir muitas saudades. Que quero dizer é que amei, amo e continuarei amando a arte de Heath Ledger. Que descanse em paz menino dourado.

Um comentário:

Grace disse...

I always love you baby.